SUPERMULHERES?

Juliana Cardoso* 

No ultimo mês de outubro, a ONU – Organização das Nações Unidas anunciou que a “Mulher Maravilha” se tornaria o símbolo do empoderamento da mulher. Desde então houve diversos protestos contra a iniciativa vindo de dentro da própria organização e de mulheres de todo o mundo. Afinal, falar de empoderamento da mulher não é muni-la de superpoderes, é simplesmente fazê-la enxergar toda sua força interior através das ações cotidianas que elas já realizam e sequer percebem a sua importância.

O que isso quer dizer? Que as verdadeiras heroínas são as mulheres que cuidam da casa, dos filhos, trabalham, estão presentes na comunidade e ainda são esposas ou chefes de família ou simplesmente aquelas mulheres que conseguem enfrentar e superar as mais diversas dificuldades. Mulheres que sabem bem a realidade dos postos de saúde, do transporte público, da segurança, das condições nas escolas dos filhos e especialmente do quanto precisam se dedicar a mais no trabalho para receber um salário equivalente ao dos homens ou apenas para conseguir ganhar mais respeito e prestígio em suas profissões.

Empoderar as mulheres não é criar um personagem extremamente sexy que sequer leva em consideração a nossa diversidade sociocultural, é mostrar que, ainda que com muitas tarefas e adversidades, é possível mudar a realidade de suas vidas e de suas comunidades apenas se fazendo ouvir. Quem conhece as dificuldades é quem tem o poder de contesta-la. E nós temos este poder, precisamos apenas usa-lo.

Caras amigas republicanas, nós bem sabemos que somos minoria na política, porém, somamos a maioria da população. No momento em que nos unirmos e gritarmos em uníssono pelos nossos direitos, não haverá lugar no mundo que não escutará. Ainda que tenhamos que abdicar de algumas coisas, olhar para a nossa comunidade e ajudar os nossos pares a não ficarem desprotegidos e desamparados é nosso dever. Temos que olhar para todos com olhos de compaixão e empatia.

Segundo a instituição britânica Save the Children, a cada sete segundos uma menina menor de quinze anos é obrigada a se casar em algum lugar do mundo. O Brasil ocupa o quarto lugar no ranking global em número absoluto de crianças casadas. Isso acarreta em elevados índices de gravidez precoce, alta mortandade das jovens mães, violência sexual e doméstica e ainda menor taxa de escolaridade entre mulheres.

Isso nos torna reféns de um ciclo de pobreza, aonde as mães têm poucas condições, e consequentemente seus filhos acabam tendo também poucas oportunidades e por ai seguimos. Ainda, Segundo a mesma instituição, dentre os melhores e os piores países para uma menina viver o Brasil figura o 102ª lugar, nos colocando abaixo de países como Paquistão e Iraque. E o que isso tem a ver com você? Eu perguntaria então: o que disso NÃO tem a ver com você?

As mulheres reais que fazem a politica do dia a dia são as mulheres que mudam a nossa sociedade. Essas mulheres nos representam e são elas que queremos brigando pelos nossos direitos.

Agora querem uma novidade? Essas mulheres somos NÓS. Nós precisamos de representantes reais e não mascotes. Assim, deixo a pergunta: hoje você irá se fantasiar de Mulher Maravilha ou de você mesma?

Juliana Cardoso* engenheira ambiental e especialista em resíduos sólidos, pós-graduada pela Escola de Administração de Empresas de São Paulo – FGV EAESP com ênfase em Empreendedorismo pela Babson College e Master em Administração Pública pela SIPA – School of International and Public Affairs da Columbia University, especialista em direito ambiental pela PUC-SP e mestranda em direito público pela FGV.

Filiada ao PR-SP; Líder RAPS – Rede de Ação Política pela Sustentabilidade, Fellow da Rede de Talentos da Fundação Lemann, Global Shaper do Hub São Paulo, Co-fundadora do Brasil 21 – Movimento de Renovação Política e foi secretária-adjunta na Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Naturais da Prefeitura da Estância Hidromineral de Poá (SP).

 

Foto: Avener Prado – Folhapress